Parada na estrada que me conduzia a lugar algum, os olhos na direção do horizonte, mas pousados em algo que somente eu podia ver, sensações e emoções lutavam dentro de mim, senti que, naquele instante, o meu coração me pedia apenas para que eu desistisse...
Desistisse da ilusão a qual eu me apegava, embora já lhe conhecesse a fragilidade.
Desistisse da expectativa sempre acompanhada da frustração que ela envolvia.
Desistisse de tentar atulhar aquele espaço vazio com tantas coisas incapazes de preenchê-lo.
Desistisse de manter aberta aquela ferida até que pudesse ser curada pelo remédio que, por tanto tempo, elegi ser o único capaz de curá-la...
Não! Aquele remédio que aguardei que viesse, não viria mais. Não viria nunca!
A possibilidade disponível de cura viria somente da minha aceitação.
Do meu desapego.
Do meu autopreenchimento...
Naquele instante, aceitei o pedido: eu escolhi DESISTIR.
Escolhi sair daquela dor. Ainda não sabia exatamente como fazê-lo. Mas estava confiante de que, de alguma forma, eu aprenderia.
A vida já havia me levado vários anéis, mas foi a primeira vez que a vida me levou uma ilusão.
A ferida, eu sabia, demoraria um pouquinho para cicatrizar, como acontece com todas elas, as do corpo e as da alma, mesmo quando param de doer.
Naquele dia, entre tantas emoções, experimentei uma terna gratidão pela perspectiva de cura e pela capacidade que a vida tem de se renovar, mesmo quando passa um bocado de tempo doendo.
Quem sou eu
- Uratinai Ketlis
- Serra Talhada, Pernambuco, Brazil
- Apenas mais uma pessoa que busca incessantemente acertar, melhorar...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Desistir?!
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Um comentário:
o TEMPO cura TODAS as feridas, acalma a tormenta, abranda a alma.
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